sábado, 3 de outubro de 2020

Tio Renato, o sabão e o casamento

 

Uma das primeiras lembranças que tenho na vida é do Tio Renato. Puxando pela memória da mamãe, confirmei que o evento se deu no casamento dele com Tia Maria.



A família toda lá em Castelo e quase todos os primos éramos ainda muito crianças. A casa precisava ser preparada, mas a criançada dificultava bastante os aprontamentos. O que fez Tio Renato? Arrumou uma Kombi, colocou toda a criançada nela e saiu passeando por Castelo. Mas, não ficou só nisto, ele ensinou algumas musiquinhas para nos distrair. A que eu me lembro, até hoje, foi a música do sabão, que dizia:

Gosto que me enrosco de comer sabão,

sabão tem vitamina, sabão tem paladar.

sabão faz a moçada engordar. Ah! Ah!


Querido, Tio. Você fará muita falta, mas, resta a certeza que está no Céu intercedendo por nós.

Cláudio Rangel


Rua Ubaldino do Amaral, 80 ( Glauco Rangel Zanetti)

Sabe quando você é bem pequeno?

Quando se envergonha de todos...

Quando se sente inseguro por nada...

Quando ninguém te enxerga no canto...

E do nada aparace um tio,

Que te vê acanhado,

Que conta uma piada,

E te deixa animado!

Parece um moleque enturmado,

Mas de tanto carinho,

Você se sente amado,

Não te deixa sozinho!

Mas quando você avança,

Seja jovem ou adulto,

Seja velho ou criança,

Falta tempo no tumulto.

Eu tenho um tio na lembrança,

Deu seu tempo sem reclamar,

Vida dura, que parece mansa,,

Foi alguém que só fez amar!

Tio Renato eu conheço,

Foi amigo, foi humano,

Foi alguém que não tem preço! 


terça-feira, 21 de julho de 2020

A arte do encontro


Há vários anos nossa família tem o costume de se reunir anualmente. Desde que iniciou-se esta prática, este ano de 2020, em virtude da Pandemia do Coronavírus, é a primeira vez que não ocorreu. Mas, a 
nossa prima Renata Raemy Rangel fez uma memória dos encontros e como começou. Eis suas palavras:

Em 2003, no final de semana do meu aniversário, eu estava com os filhos do Tio Romário, na Serra do Caparaó, subindo o Pico da Bandeira. A subida foi interrompida pela súbita queda do Aldo (ex-marido de Andreia), que o impossibilitou de continuar a caminhada. Em consequência, descemos para a cidade e, já no hotel, conversávamos Caio, Guta, Ricardo e eu sobre como nós gostávamos de estar juntos, curtindo-nos, e que era uma pena ficarmos muito tempo sem nos ver. Por isso, deveríamos tentar nos encontrar uma vez ao ano, ao menos. E foi ali, nas dependências daquele hotel, que resolvemos fazer encontros anuais da família e a mamãe sugeriu que fosse no final de semana próximo ao dia 16 de Julho, data do matrimônio de nossos avós: Alcino e Rosa.
Ricardo, imediatamente, disse que naquele ano não haveria encontro algum, pois ele estaria completando 50 anos em Julho e, caso houvesse o encontro, muitos não poderiam estar na comemoração de seu aniversário.
Concordamos e aproveitamos o aniversário do Ricardo para consolidar a ideia, com a qual aderiram todos os que estavam na Pousada dos Pinhos. Lembro-me, particularmente, do entusiasmo de Tia Regina Maria. Ela realmente vibrou com a possibilidade de estar reunida com seus irmãos e sobrinhos. O Tio Paschoal, por sua vez, disse que fazia questão que houvesse uma Missa em Ação de Graças, o que efetivamente teve.
Passados dezesseis anos, neste 2020, atípico, é a primeira vez que deixaremos de nos reunir. E, verdade seja dita, sempre nos esforçamos para estarmos juntos. Nem mesmo o falecimento de Tia Maria no dia de nosso encontro de 2011, nos impossibilitou de buscar essa união. Era ali, em família e com quem nos ama e nos compreende, que queríamos vivenciar a dor daquela triste perda.
Pensando nisso, eu não queria que a data passasse em branco. Algo deveria ser feito para registrar essa ordinária data para os Sellitti Rangel. A maneira que encontrei foi escrevendo a vocês.
Quero que saibam que todos vocês - os irmãos, primos e os irmãos de meu saudoso pai, são de importância vital para mim. Sem demagogia alguma, vocês são como "o ar que eu respiro". E eu tenho sofrido muita "falta de ar".
Nossos pais e mães, por serem irmãos muito amorosos entre si e respeitosos, estabeleceram um vínculo que se perpetua entre nós e eu sempre considerei importante que ele fosse estendido aos nossos filhos. Porquê?
Foi em família, e nas inúmeras reuniões havidas na casa de nossos avós que aprendemos as primeiras noções de amar e ser amado. Aprendemos a aceitar a cada um, com suas particularidades. Aprendemos a noção de pertencimento, e como é bom pertencer a esta família. Houve rusgas? Sim, é claro! Todos nós somos pessoas de temperamento forte. Mas elas jamais nos impossibilitaram de nos amarmos, não obstante o respeito, às vezes, ter sido esquecido.
Neste tempo, no qual estamos isolados, eu percebi como é bom estar com quem se ama... sentir sua presença... abraçar... e como sinto muita falta dos nossos abraços! Nossos abraços não são quaisquer abraços. Não! Como dizia o Tio Paschoal: "são abraços para quebrar caroços", tal a força com que são dados e recebidos. Ao abraçarmo-nos, nós trazemos o coração do outro para bem perto do nosso peito, pois é ali que eles devem ficar: lado a lado... uníssonos.
Espero, sinceramente, que possamos nos encontrar em breve. Enquanto esse tempo não chega, espero que Deus, em sua infinita misericórdia, livre todos nós de qualquer mal. Que nossos filhos, maridos e mulheres estejam sempre protegidos.
Mais do que isso: que tenhamos aprendido com essa pandemia que a vida é breve, que cada minuto vivido ao lado de quem amamos é precioso. E por isso devemos agradecer por termos um ao outro e devemos sempre cuidar de nossa família.

Beijos em todos.