Há vários anos nossa família tem o costume de se reunir anualmente. Desde que iniciou-se esta prática, este ano de 2020, em virtude da Pandemia do Coronavírus, é a primeira vez que não ocorreu. Mas, a
nossa prima Renata Raemy Rangel fez uma memória dos encontros e como começou. Eis suas palavras:
Em 2003, no final de semana do meu aniversário, eu estava com os filhos do Tio Romário, na Serra do Caparaó, subindo o Pico da Bandeira. A subida foi interrompida pela súbita queda do Aldo (ex-marido de Andreia), que o impossibilitou de continuar a caminhada. Em consequência, descemos para a cidade e, já no hotel, conversávamos Caio, Guta, Ricardo e eu sobre como nós gostávamos de estar juntos, curtindo-nos, e que era uma pena ficarmos muito tempo sem nos ver. Por isso, deveríamos tentar nos encontrar uma vez ao ano, ao menos. E foi ali, nas dependências daquele hotel, que resolvemos fazer encontros anuais da família e a mamãe sugeriu que fosse no final de semana próximo ao dia 16 de Julho, data do matrimônio de nossos avós: Alcino e Rosa.
Ricardo, imediatamente, disse que naquele ano não haveria encontro algum, pois ele estaria completando 50 anos em Julho e, caso houvesse o encontro, muitos não poderiam estar na comemoração de seu aniversário.
Concordamos e aproveitamos o aniversário do Ricardo para consolidar a ideia, com a qual aderiram todos os que estavam na Pousada dos Pinhos. Lembro-me, particularmente, do entusiasmo de Tia Regina Maria. Ela realmente vibrou com a possibilidade de estar reunida com seus irmãos e sobrinhos. O Tio Paschoal, por sua vez, disse que fazia questão que houvesse uma Missa em Ação de Graças, o que efetivamente teve.
Passados dezesseis anos, neste 2020, atípico, é a primeira vez que deixaremos de nos reunir. E, verdade seja dita, sempre nos esforçamos para estarmos juntos. Nem mesmo o falecimento de Tia Maria no dia de nosso encontro de 2011, nos impossibilitou de buscar essa união. Era ali, em família e com quem nos ama e nos compreende, que queríamos vivenciar a dor daquela triste perda.
Pensando nisso, eu não queria que a data passasse em branco. Algo deveria ser feito para registrar essa ordinária data para os Sellitti Rangel. A maneira que encontrei foi escrevendo a vocês.
Quero que saibam que todos vocês - os irmãos, primos e os irmãos de meu saudoso pai, são de importância vital para mim. Sem demagogia alguma, vocês são como "o ar que eu respiro". E eu tenho sofrido muita "falta de ar".
Nossos pais e mães, por serem irmãos muito amorosos entre si e respeitosos, estabeleceram um vínculo que se perpetua entre nós e eu sempre considerei importante que ele fosse estendido aos nossos filhos. Porquê?
Foi em família, e nas inúmeras reuniões havidas na casa de nossos avós que aprendemos as primeiras noções de amar e ser amado. Aprendemos a aceitar a cada um, com suas particularidades. Aprendemos a noção de pertencimento, e como é bom pertencer a esta família. Houve rusgas? Sim, é claro! Todos nós somos pessoas de temperamento forte. Mas elas jamais nos impossibilitaram de nos amarmos, não obstante o respeito, às vezes, ter sido esquecido.
Neste tempo, no qual estamos isolados, eu percebi como é bom estar com quem se ama... sentir sua presença... abraçar... e como sinto muita falta dos nossos abraços! Nossos abraços não são quaisquer abraços. Não! Como dizia o Tio Paschoal: "são abraços para quebrar caroços", tal a força com que são dados e recebidos. Ao abraçarmo-nos, nós trazemos o coração do outro para bem perto do nosso peito, pois é ali que eles devem ficar: lado a lado... uníssonos.
Espero, sinceramente, que possamos nos encontrar em breve. Enquanto esse tempo não chega, espero que Deus, em sua infinita misericórdia, livre todos nós de qualquer mal. Que nossos filhos, maridos e mulheres estejam sempre protegidos.
Mais do que isso: que tenhamos aprendido com essa pandemia que a vida é breve, que cada minuto vivido ao lado de quem amamos é precioso. E por isso devemos agradecer por termos um ao outro e devemos sempre cuidar de nossa família.
Beijos em todos.