sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Rosa Sellitti, a Moça do Tempo


Os incrédulos talvez continuem incrédulos, mas, a minha avó, Rosa Sellitti, tinha um talento que muitos meteorologistas gostariam de ter: ela previa as condições climáticas, e com muita antecedência. E, ao que sabemos, tal talento era requisitado por muitos, principalmente agricultores, para que, assim prevendo como seria o comportamento do clima ao longo do ano, eles programassem seus afazeres.

Como Vovó Rosa fazia a previsão do tempo?

Sabemos, muitos na família, qual era esta expertise da Vovó Rosa. Não me consta, contudo, que algum dos seus descendentes tenha conseguido igualá-la, e ser assertivo, alguma vez.

Vovó observava, atentamente, o decorrer do tempo e condições climáticas entre o dia de Santa Luzia - 13 de dezembro - até o Natal - 25 de dezembro - como todos sabem. O que resultava em 12 dias de observação. De acordo com tais observações feitas em cada um destes 12 dias, previa, ela, as condições climáticas nos 12 meses do ano vindouro, naquela região. Esta era a técnica.

Eu nunca consegui reproduzir, talvez por relapso, ou incompetência, mesmo. Não sei, também, se havia algo especial, nestas observações, que a tornavam tão certeiras ao ponto de Vovó Rosa ser consultada pelos agricultores da região. Quem sabe um dia descubro!

Nesta data em que escrevo esta breve nota, 23 de dezembro, é aniversário de nascimento de Vovó Rosa, nascida no ano de 1900. Que lá do céu, onde se encontra, certamente, minha amada avó zele e interceda por nós.






terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Vovó Rosa e o Cavalinho de Santa Luzia


Santa Luzia passou por aqui,
com seu cavalinho comendo capim...

Esta era a trovinha que Vovó Rosa nos ensinava cantar na Festa de Santa Luzia, ou Santa Lucia, também chamada, em 13 de dezembro.

Desde a mais tenra infância, nas minhas férias, eu passava um tempo na casa de meus avós Rosa e Alcino. Normalmente, no início do mês de dezembro, o que coincidia com o Dia de Santa Luzia.

A historinha que Vovó me contava, por ocasião deste dia, dizia que, durante a noite, Santa Luzia visitava aqueles que deixavam comida – um pratinho com capim – para o seu cavalinho, pois ela vinha montada nele.

Pela manhã, ao acordar, constatava que a santinha passara, e nos deixava como presente, no lugar do capim que alimentou seu cavalinho, um monte de guloseimas.



Santa Luzia, como se lê nas Actas, pertencia a uma família rica de Siracusa. A mãe dela, Eutíquie, ficou viúva e havia prometido dar a filha como esposa a um jovem concidadão. Luzia, que tinha feito voto de se conservar virgem por amor a Cristo, obteve que as núpcias fossem adiadas, também porque a mãe foi atingida por uma grave doença. Devota de Santa Águeda, a mártir de Catânia, que vivera meio século antes, Luzia quis levar a mãe enferma em visita ao túmulo da Santa. Desta peregrinação a mulher voltou perfeitamente curada e por isso concordou com a filha, dando-lhe licença para seguir a vida que havia escolhido; consentiu também que ela distribuísse aos pobres da cidade os bens do seu rico dote. O noivo rejeitado vingou-se acusando Luzia de ser cristã ao procônsul Pascásio. Ameaçada de ser exposta ao prostíbulo para que se contaminasse, Luzia deu ao procônsul uma sábia resposta: "O corpo contamina-se se a alma consente."

O procônsul quis passar das ameaças aos factos, mas o corpo de Luzia ficou tão pesado que dezenas de homens não conseguiram carregá-lo sequer um palmo. Um golpe de espada pôs fim a uma longa série de sofrimentos, mas mesmo a morrer, a jovem continuou a exortar os fiéis a antepôr os deveres para com Deus àqueles para com as criaturas, até que os companheiros de fé, que faziam um círculo em volta dela, selaram o seu comovente testemunho com a palavra: Amén.

Testemunham-lhe a antiga devoção, que se difundiu muito rapidamente não só no Ocidente, mas também no Oriente. O episódio da cegueira, ao qual ordinariamente chamam a atenção as imagens de Santa Luzia, está provavelmente vinculado ao nome: Luzia (Lúcia) derivada de lux (= luz), elemento indissolúvel unido não só ao sentido da vista, mas também à faculdade espiritual de captar a realidade sobrenatural. Por este motivo Dante Alighieri, na Divina Comédia, atribui a Santa Lúcia ou Luzia a função de graça iluminadora. (cf Evangelho Cotidiano, 13 de dezembro)
  
Em algumas cidades da Itália e também aqui no Brasil (principalmente onde houve colonização italiana)  costuma-se montar o presépio no dia 13 de dezembro, dia de “Santa Luzia”.  Monta se o presépio no dia  de “Santa Luzia”  e desmonta se no dia dos Reis Magos ( 6 de janeiro).

Assim como o nome já diz, Santa Luzia abre o período em que a “luz” do  mundo irá chegar. 



Corpo e Relíquias de Santa Luzia - Veneza, Itália

O corpo de Santa Luzia encontra-se, hoje, na Chiesa dei santi Geremia e Lucia, em Veneza, Itália.


Festa de Santa Luzia na Suécia