terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Vovó Rosa e o Cavalinho de Santa Luzia


Santa Luzia passou por aqui,
com seu cavalinho comendo capim...

Esta era a trovinha que Vovó Rosa nos ensinava cantar na Festa de Santa Luzia, ou Santa Lucia, também chamada, em 13 de dezembro.

Desde a mais tenra infância, nas minhas férias, eu passava um tempo na casa de meus avós Rosa e Alcino. Normalmente, no início do mês de dezembro, o que coincidia com o Dia de Santa Luzia.

A historinha que Vovó me contava, por ocasião deste dia, dizia que, durante a noite, Santa Luzia visitava aqueles que deixavam comida – um pratinho com capim – para o seu cavalinho, pois ela vinha montada nele.

Pela manhã, ao acordar, constatava que a santinha passara, e nos deixava como presente, no lugar do capim que alimentou seu cavalinho, um monte de guloseimas.



Santa Luzia, como se lê nas Actas, pertencia a uma família rica de Siracusa. A mãe dela, Eutíquie, ficou viúva e havia prometido dar a filha como esposa a um jovem concidadão. Luzia, que tinha feito voto de se conservar virgem por amor a Cristo, obteve que as núpcias fossem adiadas, também porque a mãe foi atingida por uma grave doença. Devota de Santa Águeda, a mártir de Catânia, que vivera meio século antes, Luzia quis levar a mãe enferma em visita ao túmulo da Santa. Desta peregrinação a mulher voltou perfeitamente curada e por isso concordou com a filha, dando-lhe licença para seguir a vida que havia escolhido; consentiu também que ela distribuísse aos pobres da cidade os bens do seu rico dote. O noivo rejeitado vingou-se acusando Luzia de ser cristã ao procônsul Pascásio. Ameaçada de ser exposta ao prostíbulo para que se contaminasse, Luzia deu ao procônsul uma sábia resposta: "O corpo contamina-se se a alma consente."

O procônsul quis passar das ameaças aos factos, mas o corpo de Luzia ficou tão pesado que dezenas de homens não conseguiram carregá-lo sequer um palmo. Um golpe de espada pôs fim a uma longa série de sofrimentos, mas mesmo a morrer, a jovem continuou a exortar os fiéis a antepôr os deveres para com Deus àqueles para com as criaturas, até que os companheiros de fé, que faziam um círculo em volta dela, selaram o seu comovente testemunho com a palavra: Amén.

Testemunham-lhe a antiga devoção, que se difundiu muito rapidamente não só no Ocidente, mas também no Oriente. O episódio da cegueira, ao qual ordinariamente chamam a atenção as imagens de Santa Luzia, está provavelmente vinculado ao nome: Luzia (Lúcia) derivada de lux (= luz), elemento indissolúvel unido não só ao sentido da vista, mas também à faculdade espiritual de captar a realidade sobrenatural. Por este motivo Dante Alighieri, na Divina Comédia, atribui a Santa Lúcia ou Luzia a função de graça iluminadora. (cf Evangelho Cotidiano, 13 de dezembro)
  
Em algumas cidades da Itália e também aqui no Brasil (principalmente onde houve colonização italiana)  costuma-se montar o presépio no dia 13 de dezembro, dia de “Santa Luzia”.  Monta se o presépio no dia  de “Santa Luzia”  e desmonta se no dia dos Reis Magos ( 6 de janeiro).

Assim como o nome já diz, Santa Luzia abre o período em que a “luz” do  mundo irá chegar. 



Corpo e Relíquias de Santa Luzia - Veneza, Itália

O corpo de Santa Luzia encontra-se, hoje, na Chiesa dei santi Geremia e Lucia, em Veneza, Itália.


Festa de Santa Luzia na Suécia



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