sexta-feira, 5 de maio de 2017

Madrinha Regina Maria

Meus pais, José e Regina Martha, escolheram muito bem meus padrinhos.

Minha Madrinha de Batismo, junto com meu avô Aarãozinho, foi Regina Maria Rangel Zanetti, a irmã mais velha de meu pai. Ela era um ser humano excepcional. Tinha uma aura de santidade. Estar perto dela era sentir um gostinho de céu.

Quase todos os anos ia passar uns dias com ela e com Tio Rubens Zanetti, que, posteriormente, escolhi também para ser meu Padrinho de Confirmação. Assim, ficaram os dois juntinhos como meus representantes junto a Deus. Devo muito de minha espiritualidade ao contato com os dois.

Tiveram cinco filhos: Agnes, Cleto, Cleber, Glauco e Vladimir. Todos casaram-se e tiveram filhos. Adoráveis, sem exceção.

O que eu queria lembrar, agora, é, simplesmente, uma dedicatória em um livro - Maria, Maria..., do Tio Paschoal Rangel - que ela me ofereceu. Guardo como uma joia. Nestas suas palavras podemos aferir, um pouco, de quem foi minha amada Madrinha: 
Claudinho,
A vida é uma luta constante, só demonstramos que estamos vivos se buscarmos, sem tréguas, nosso ideal, não importa a idade...
O ideal do ser humano é a Perfeição = Deus = Amor, na busca meio desordenada deste ideal, às vezes, somos exemplo.
É muito gratificante saber disto, principalmente porque Cristo disse: "Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, nem se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de um alqueire, mas sim sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos que estão na casa". (Mt 5, 14-15)
Claudinho, obrigada pelas palavras e pela lembrança tão espontânea, primeira que me foi ofertada por um afilhado. Muito bom, mesmo...
Sua Madrinha, Regina,
  que pede as bênçãos de Deus e de Maria para você!

Saudades, Madrinha Regina. Vós que estais junto ao Pai, no Paraíso, intercedei por mim, e por toda nossa família.


MADRINHA REGINA, PADRINHO RUBENS, E GABRIELA,
MINHA AFILHADA, NO DIA DO MEU CRISMA.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Padre Paschoal Rangel, o Primogênito

"Pra Começo de Conversa",


Primeiro número de O Lutador.


        este era o título da coluna editorial que o Padre Paschoal Rangel, SDN (17/5/1922 - 24/4/2010), manteve durante anos e anos no Jornal O Lutador, jornal dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, fundado pelo Servo de Deus, Padre Júlio Maria de Lombaerde.


Padre Paschoal Rangel


__Paschoal Rangel: homem da Igreja e da família__

Dizer que alguém é da Igreja e da família é uma redundância. Se alguém é da Igreja, necessariamente será um homem da família; e se alguém é verdadeiramente da família, tem que ser um homem da Igreja. Deus se fez família. Deus É família!

Este o legado que o nosso Tio Paschoal nos deixou: apesar das suas múltiplas exigências na tarefa de sacerdote, nunca deixou de estar sempre pronto para atender à também exigente família consanguínea, sua "Igreja Doméstica".
Tio Paschoal com os irmãos:
 José, Elmo, (Paschoal), Toninho, Genaro, Romário.
As irmãs: Regina, Terezinha e Maria das Dores.

A gente, às vezes, se esquece de perscrutar as palavras para melhor entendê-las, e captar toda a beleza dos seus significados. Tio Paschoal era um "detetive da palavra". Ele nos lembraria que "padre" quer dizer "pai", e se formos mais longe, "o pão da família".

Nas Bodas de Ouro dos Pais: Alcino e Rosa.


Tenho certeza, que lá onde se encontra agora, no convívio e intimidade com a Virgem Maria - que tanto amou -, na presença de Deus. de seus anjos e de seus santos, faz crescer, a cada dia, o número dos seus filhos.

Há muito o que se falar do Padre Paschoal, e pretendemos fazê-lo, com o tempo.  Por hora, deixo-vos com as palavras de Solange Malosto em Pe. Paschoal: um teólogo com a Igreja. Diz ela, nas vésperas de quando o Tio Paschoal completaria 60 anos de sacerdócio:



01-Nov-2006 No próximo dia 08 de dezembro, Pe. Paschoal Rangel completará 60 anos de vida presbiteral. Quantas experiências a contar! Alegrias, realizações, desafios e dificuldades encontradas no exercício do seu ministério. Tinha apenas 24 anos quando foi ordenado padre. Era bastante jovem, mas aprendeu do próprio fundador, Pe. Júlio Maria, que a juventude é sinônimo de ousadia, realização de projetos, conquistas e confiança em Deus
Uma figura simpática, que não deixa a abundância da idade ofuscar o bom humor, a serenidade e a alegria de ser religioso presbítero da Congregação dos Missionários Sacramentinos de N. Senhora. Essa é a primeira impressão que Padre Paschoal Rangel deixa quando alguém o procura para bater um papo, que pode ir do simples ao mais erudito assunto.
Prestes a completar 60 anos de padre, com os seus 84 anos de idade, o religioso Sacramentino costuma ainda recordar fatos importantes de sua caminhada vocacional.
Uma pessoa muito especial na vida deste religioso é Frei Geraldo, irmão propagandista do Jornal “O Lutador”, que certo dia chega à casa dos “Rangel” e pergunta a Dona Rosa Selliti mãe do pequeno Paschoal se ela conhecia alguém com vontade de ser padre. Logo Dona Rosa lembrou do entusiasmo que o Paschoalzinho demonstrava ao ler a história dos primeiros padres missionários do Brasil.
Depois de um certo tempo, Alcino de Abreu Rangel e seu filho Paschoal partem para Manhumirim com o objetivo de engrossar as fileiras da Congregação Sacramentina. Foram acolhidos pelo próprio fundador Pe. Júlio Maria De Lombaerde, que a partir daquele dia seria o responsável pelo pequeno castelense.
Na despedida, o sr. Alcino fala para o Pe. Júlio: “Toma esse dinheiro para comprar umas balas para o menino.” - Respondeu o Pe. Júlio: “Não se preocupe, quem quer ser padre não chupa balas.” Pe. Paschoal ainda lembra da vida austera que os primeiros sacramentinos levavam. Pe. Júlio Maria queria que a Congregação tirasse do seu trabalho o próprio sustento. Além de rezar e estudar, trabalhar também fazia parte da vida do Seminário de Manhumirim. 

Segundo Pe. Paschoal, naquele tempo se costumava falar de carisma e espiritualidade da Congregação, mas ele começou a entender isso a partir da convivência com o Fundador. Viu sua vida se realizando na missão Sacramentina. Depois de ordenado, desempenhou várias funções na Congregação: diretor e professor do Seminário Apostólico (Manhumirim), conselheiro geral, pároco, vigário paroquial e diretor do jornal “O Lutador” (1967-2002) e fundador da Revista de teologia Atualização. 

A missão deste Sacramentino se fez em grande parte através da comunicação, evangelizando, instruindo e informando pelas linhas de “O Lutador”, que em tempos passados fora o jornal mais lido do Brasil. 

Ao ser perguntado sobre qual o conselho que o experiente religioso daria aos mais jovens sacramentinos e àqueles que um dia pretendem abraçar esta vida, diz: “Quanto mais o padre reza, menos deixa o sacerdócio, por isso é preciso rezar e sobretudo aprender a rezar com a Igreja. 

Outra coisa que gostaria de dizer consiste na importância do estudo da teologia, cultivando o amor às leis da Igreja, vendo nelas normas de santidade. Já dizia Derrida: 'Contra o capitalismo só uma coisa: a santidade'; e León-Bloy: 'Só há uma tristeza: a de não ser santo’.” 

Pe. Paschoal é exemplo de resistência, coragem e determinação. Auxiliado pela graça de Deus, acreditou em seus talentos. E hoje apesar da sua idade avançada continua lutando como o bom 
Lutador de Cristo e o filho espiritual do Pe. Júlio Maria. Escreve vários artigos, enfim vive a sua missão presbiteral feliz.



Querido Tio Paschoal, como sempre fizestes na terra, te peço que agora do Céu, ainda mais: Orai por nós!

Niterói, 16 de Maio de 2016
Festa de São João Nepomuceno,  Padroeiro dos Diretores Espirituais.


Padre Paschoal Rangel (17 de maio de 1922 - 24 de abril de 2010) foi um sacerdoteteólogoprofessorjornalista e ensaísta nascido em Castelo (Espírito Santo) e falecido em Belo HorizonteMinas Gerais. Seus pais eram Alcino de Abreu Rangel e Rosa Sellitti Rangel.

Cursou o Ensino Primário em Castelo (ES) e o Curso Ginasial em Manhumirim (MG) no Seminário Apostólico do Instituto da Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, levado pelo próprio Júlio Maria de Lombaerde; Cursou Filosofia no Seminário Maior do mesmo Instituto; Cursou Teologia no Seminário Provincial do Coração Eucarístico, de Belo Horizonte (MG); Licenciatura em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Fisolofia, Ciências e Letras, de São João del-Rei (MG), com registro na Universidade Federal de Juiz de Fora; Bacharelou-se em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais[1].

Missionário na Imprensa

[editar | editar código-fonte]

Paschoal Rangel ordenou-se sacerdote em dezembro de 1946. Foi Professor de Filosofia, História da Filosofia e Introdução à Filosofia e Teologia Sistemática do Instituto Central de Filosofia e Teologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Professor de Deontologia de Enfermagem da mesma PUC-MG e da Universidade Federal de Minas Gerais; Vice-Diretor do ICFT da PUC-MG (1968-1969). Tem vários artigos sobre Filosofia e Teologia publicados em jornais e revistas (O Lutador; O Diário (BH-MG), A Ordem, do Centro Dom Vital; revista de Teologia Kriterion, da UFMG), além de alguns Cadernos de Teologia, sobre a Revelação e os Sacramentos. Foi Redator e Editor-chefe do Jornal O Lutador e da Revista de Teologia Atualização.

Durante o Concílio Vaticano II foi o único correspondente de um jornal brasileiro a fazer uma cobertura substancial do evento para o Diário de Notícias[2].

Ao Padre Paschoal Rangel foram indexados mais de 3.800 artigos publicados na imprensa[3] E, nas palavras do escritor católico brasileiro, Antônio Carlos Santini, ele foi capaz de "na dança móvel que quem luta com palavras", saltar do "jargão teológico ("segurança epistemológica", "mediação ideológico-racional") para expressão que alcança os leitores de jornal ("teólogos de galinheiro", "guerrilha ideológica", "sono dogmático"). E, natural, o mel da ironia escorre gostosamente no canto do lábio do leitor..."[4]

Padre Paschoal sucedeu Dom Antônio Afonso de Miranda - que fora nomeado bispo da Diocese de Lorena e seria o incentivador da Canção Nova[5] - na chefia da redação do Jornal O Lutador.

Em 1969, fundou a Revista Atualização, com o apoio do Padre Alberto Antoniazzi e do Instituto Central de Filosofia e Teologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, e nela colaboraram os principais pensadores e líderes católicos brasileiros e alguns estrangeiros, tais como: Dom Antônio Afonso de MirandaDom João Evangelista Martins Terra; Hupert Lepargneur, Dom João Resende CostaCardeal Godfried DannieelsCardeal Raymundo Damasceno Assis, Henrique Cristiano José Matos, Dom Boaventura Kloppenburg.

Obras Publicadas

[editar | editar código-fonte]
  • Entre Ágapes e Eucaristias - Um estudo histórico-litúrgico sobre a Missa. Manhumirim: Editora O Lutador, 1956.
  • A Nova Teologia da Revelação na "Dei Verbum". Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1970.
  • Emmanuel Mounier - Um Pensamento Dentro da Vida. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1976.
  • Ensaios de Literatura: Uma introdução à leitura de dezesseis autores brasileiros. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1984.
  • No Vento Azul (Quase-poemas). Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1986.
  • Essa Mineiríssima Henriqueta - Ensaio de interpretação poética de Henriqueta Lisboa. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1987. (Prêmio da UBE de Melhor Livro de Crítica de Poesia; Prêmio Agripino Grieco de Melhor Livro de Crítica Literária de 1988)
  • Teologia da Libertação: Juízo crítico e busca de caminhos. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1988.
  • Falas do Meu Rio - Quase-poemas, quase-orações. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1988.
  • Maria, Maria... (Meditações sobre as invocações da Ladainha de Nossa Senhora. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1991.
  • Sagrado Coração do Homem. (Meditações sobre a Ladainha do Coração de Jesus. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1993.
  • Teologia de Jornal - Uma interpretação teológica dos fatos. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1996.
  • O Romanceiro de Henriqueta Lisboa em "Madrinha Lua". Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1996.
  • Provérbios e Ditos Populares - A sabedoria de nossa gente. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 2003.
  • A Igreja e o Batismo. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 2007.

Referências

  1.  SILVA, Heleno Raimundo da (org).Pe Paschoal Rangel, SDN. In, Atualização Nº 343. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 2010, pg 105ss.
  2.  Igreja: Padre Pascoal Rangel. Programa Memória e Poder da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.
  3.  SILVA, Heleno Raimundo da. Op. cit. pg. 109.
  4.  SANTINI, Antônio Carlos. Esse Incômodo Padre Paschoal. In, Ensaios & Estudos: Homenagem ao Pe Paschoal Rangel. Belo Horizonte; Editora O Lutador, 1997, pg. 211.
  5.  O Globo - 11/10/2021,

Bibliografia

[editar | editar código-fonte]
  • Dom João Resende CostaO Dom de Deus na Vida do Padre. In, Ensaios & Estudos: Homenagem ao Pe Paschoal Rangel. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1997.
  • SILVA, Heleno Raimundo da (org).Pe Paschoal Rangel, SDN. In, Atualização Nº 343. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 2010.


Notas:

1 - A Igreja perde um grande Sacerdote. Por Murilo Badaró.
2 - Francisco: humildade, firmeza e misericórdia. Por Cardeal Orani Tespesta,
3 - O Compromisso Cristão Pós-Crismal. Fr Matheus Garbazza.

Crédito:
Primeira Edição de "O Lutador": Obras do Padre Júlio Maria de Lombaerde
Álbum de Família: Cedidas por Renata Raemy Rangel

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Tio Romário, a gata e os ratinhos



Romario Rangel - nosso Tio Romario -  foi o segundo filho dos meus avós Alcino e Rosa. Casou-se com Graziella Scardini Felisberto - que todos as chamavam de Gazinha. Foram, na prática, meus segundos pais. Quase todos os anos eu passava uma temporada na casa deles. Tiveram sete filhos: Caio Lúcio - o mais velho primo da terceira geração -, Terezinha Elisabeth (Teteize), Romário R, Filho (Romarinho, ou Umbaia), Augusto Sérgio (Guta), Cláudia Patrícia, Carla Valéria, e Andreia Elisa (Déia). Foi um personagem sui generis sobre o qual, um dia, falaremos mais. Tinha um apreço todo especial pelas as origens e histórias da família, e, ele mesmo, foi personagem de muitas. Tais como este episódio que seu filho Romário Rangel Filho lembrou. Relata o Romarinho:

Num determinado dia, um senhor já meio idoso, (papai), percebeu que a casa estava ficando empestada de camundongos. Daqueles pequeninos. Como sempre dormimos tarde, então sentávamos à mesa pra jogar conversa fora de vez em quando. Ele, o tal mencionado acima não podia mais fingir que não via. Como o senhor todo poderoso da casa então encomendou um tal de pega ratos, um papel super viscoso que grudava tudo e lá, o que ficava não soltava de jeito algum. Ele sempre muito sério, nem sei como angariava a simpatia das empregadas, na época, nem tão longe assim... sempre tivemos em casa duas pra dividir as tarefas. Esse acordo e divisão não sei explicar como se dava pois uma tinha umas funções e a outra... outras. Ao mesmo tempo ele pediu a uma delas que trouxesse um gato pra dar conta do recado. Acontece então que uma delas trouxe um gatinho ainda bem novinho. Branquinho de todo mas já com os olhos azuis. Era fêmea e foi denominada de BRANCA! Não tinha traquejo pois estava em fase de crescimento. Enquanto isso, os ratinhos já estavam grudando-se no tal visgo. Não morriam, apenas ficavam presos lá. Davam umas guinchadas, uns trinados sei lá que linguagem os ratos falam. Produzem um som perceptivelmente bem esquisitos. O senhor todo poderoso então começou a ficar com pena deles. Ao invés de matar, alimentava-os. Os filhos manifestavam-se e diziam é pra liquidar ou não? O poder então era dele e ele tinha pena.. mas isto já é outra história. Com o decorrer do tempo a Branca foi mudando de cor e endereço. Todos sabemos como os gatos são independentes... fazem o que querem e como querem e não tem hora. visitava o antigo dono mas, tomou como residência oficial ... à do genro. Moral da história... a Branca mudou completamente de cor... metida que só e cheia de manias... As fotos foram publicadas pra eu não ser considerado maluco total e contador de história de pescador... ser sincero, mentiroso! Assim é, nada é permanente, tudo se transforma sem ter escolha... acontece. Vejam e criam. Carla Rangel Simon e Franz Simon. Fazer o quê? Gatos são assim, super independentes. Branca então foi mudando de cor e ia na casa do senhor somente quando dava na telha. Resolveu mesmo residir fixamente na casa do genro.

Tio Romario e Tia Gazinha