quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Padre Paschoal Rangel, o Primogênito

"Pra Começo de Conversa",


Primeiro número de O Lutador.


        este era o título da coluna editorial que o Padre Paschoal Rangel, SDN (17/5/1922 - 24/4/2010), manteve durante anos e anos no Jornal O Lutador, jornal dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, fundado pelo Servo de Deus, Padre Júlio Maria de Lombaerde.


Padre Paschoal Rangel


__Paschoal Rangel: homem da Igreja e da família__

Dizer que alguém é da Igreja e da família é uma redundância. Se alguém é da Igreja, necessariamente será um homem da família; e se alguém é verdadeiramente da família, tem que ser um homem da Igreja. Deus se fez família. Deus É família!

Este o legado que o nosso Tio Paschoal nos deixou: apesar das suas múltiplas exigências na tarefa de sacerdote, nunca deixou de estar sempre pronto para atender à também exigente família consanguínea, sua "Igreja Doméstica".
Tio Paschoal com os irmãos:
 José, Elmo, (Paschoal), Toninho, Genaro, Romário.
As irmãs: Regina, Terezinha e Maria das Dores.

A gente, às vezes, se esquece de perscrutar as palavras para melhor entendê-las, e captar toda a beleza dos seus significados. Tio Paschoal era um "detetive da palavra". Ele nos lembraria que "padre" quer dizer "pai", e se formos mais longe, "o pão da família".

Nas Bodas de Ouro dos Pais: Alcino e Rosa.


Tenho certeza, que lá onde se encontra agora, no convívio e intimidade com a Virgem Maria - que tanto amou -, na presença de Deus. de seus anjos e de seus santos, faz crescer, a cada dia, o número dos seus filhos.

Há muito o que se falar do Padre Paschoal, e pretendemos fazê-lo, com o tempo.  Por hora, deixo-vos com as palavras de Solange Malosto em Pe. Paschoal: um teólogo com a Igreja. Diz ela, nas vésperas de quando o Tio Paschoal completaria 60 anos de sacerdócio:



01-Nov-2006 No próximo dia 08 de dezembro, Pe. Paschoal Rangel completará 60 anos de vida presbiteral. Quantas experiências a contar! Alegrias, realizações, desafios e dificuldades encontradas no exercício do seu ministério. Tinha apenas 24 anos quando foi ordenado padre. Era bastante jovem, mas aprendeu do próprio fundador, Pe. Júlio Maria, que a juventude é sinônimo de ousadia, realização de projetos, conquistas e confiança em Deus
Uma figura simpática, que não deixa a abundância da idade ofuscar o bom humor, a serenidade e a alegria de ser religioso presbítero da Congregação dos Missionários Sacramentinos de N. Senhora. Essa é a primeira impressão que Padre Paschoal Rangel deixa quando alguém o procura para bater um papo, que pode ir do simples ao mais erudito assunto.
Prestes a completar 60 anos de padre, com os seus 84 anos de idade, o religioso Sacramentino costuma ainda recordar fatos importantes de sua caminhada vocacional.
Uma pessoa muito especial na vida deste religioso é Frei Geraldo, irmão propagandista do Jornal “O Lutador”, que certo dia chega à casa dos “Rangel” e pergunta a Dona Rosa Selliti mãe do pequeno Paschoal se ela conhecia alguém com vontade de ser padre. Logo Dona Rosa lembrou do entusiasmo que o Paschoalzinho demonstrava ao ler a história dos primeiros padres missionários do Brasil.
Depois de um certo tempo, Alcino de Abreu Rangel e seu filho Paschoal partem para Manhumirim com o objetivo de engrossar as fileiras da Congregação Sacramentina. Foram acolhidos pelo próprio fundador Pe. Júlio Maria De Lombaerde, que a partir daquele dia seria o responsável pelo pequeno castelense.
Na despedida, o sr. Alcino fala para o Pe. Júlio: “Toma esse dinheiro para comprar umas balas para o menino.” - Respondeu o Pe. Júlio: “Não se preocupe, quem quer ser padre não chupa balas.” Pe. Paschoal ainda lembra da vida austera que os primeiros sacramentinos levavam. Pe. Júlio Maria queria que a Congregação tirasse do seu trabalho o próprio sustento. Além de rezar e estudar, trabalhar também fazia parte da vida do Seminário de Manhumirim. 

Segundo Pe. Paschoal, naquele tempo se costumava falar de carisma e espiritualidade da Congregação, mas ele começou a entender isso a partir da convivência com o Fundador. Viu sua vida se realizando na missão Sacramentina. Depois de ordenado, desempenhou várias funções na Congregação: diretor e professor do Seminário Apostólico (Manhumirim), conselheiro geral, pároco, vigário paroquial e diretor do jornal “O Lutador” (1967-2002) e fundador da Revista de teologia Atualização. 

A missão deste Sacramentino se fez em grande parte através da comunicação, evangelizando, instruindo e informando pelas linhas de “O Lutador”, que em tempos passados fora o jornal mais lido do Brasil. 

Ao ser perguntado sobre qual o conselho que o experiente religioso daria aos mais jovens sacramentinos e àqueles que um dia pretendem abraçar esta vida, diz: “Quanto mais o padre reza, menos deixa o sacerdócio, por isso é preciso rezar e sobretudo aprender a rezar com a Igreja. 

Outra coisa que gostaria de dizer consiste na importância do estudo da teologia, cultivando o amor às leis da Igreja, vendo nelas normas de santidade. Já dizia Derrida: 'Contra o capitalismo só uma coisa: a santidade'; e León-Bloy: 'Só há uma tristeza: a de não ser santo’.” 

Pe. Paschoal é exemplo de resistência, coragem e determinação. Auxiliado pela graça de Deus, acreditou em seus talentos. E hoje apesar da sua idade avançada continua lutando como o bom 
Lutador de Cristo e o filho espiritual do Pe. Júlio Maria. Escreve vários artigos, enfim vive a sua missão presbiteral feliz.



Querido Tio Paschoal, como sempre fizestes na terra, te peço que agora do Céu, ainda mais: Orai por nós!

Niterói, 16 de Maio de 2016
Festa de São João Nepomuceno,  Padroeiro dos Diretores Espirituais.


Padre Paschoal Rangel (17 de maio de 1922 - 24 de abril de 2010) foi um sacerdoteteólogoprofessorjornalista e ensaísta nascido em Castelo (Espírito Santo) e falecido em Belo HorizonteMinas Gerais. Seus pais eram Alcino de Abreu Rangel e Rosa Sellitti Rangel.

Cursou o Ensino Primário em Castelo (ES) e o Curso Ginasial em Manhumirim (MG) no Seminário Apostólico do Instituto da Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, levado pelo próprio Júlio Maria de Lombaerde; Cursou Filosofia no Seminário Maior do mesmo Instituto; Cursou Teologia no Seminário Provincial do Coração Eucarístico, de Belo Horizonte (MG); Licenciatura em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Fisolofia, Ciências e Letras, de São João del-Rei (MG), com registro na Universidade Federal de Juiz de Fora; Bacharelou-se em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais[1].

Missionário na Imprensa

[editar | editar código-fonte]

Paschoal Rangel ordenou-se sacerdote em dezembro de 1946. Foi Professor de Filosofia, História da Filosofia e Introdução à Filosofia e Teologia Sistemática do Instituto Central de Filosofia e Teologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Professor de Deontologia de Enfermagem da mesma PUC-MG e da Universidade Federal de Minas Gerais; Vice-Diretor do ICFT da PUC-MG (1968-1969). Tem vários artigos sobre Filosofia e Teologia publicados em jornais e revistas (O Lutador; O Diário (BH-MG), A Ordem, do Centro Dom Vital; revista de Teologia Kriterion, da UFMG), além de alguns Cadernos de Teologia, sobre a Revelação e os Sacramentos. Foi Redator e Editor-chefe do Jornal O Lutador e da Revista de Teologia Atualização.

Durante o Concílio Vaticano II foi o único correspondente de um jornal brasileiro a fazer uma cobertura substancial do evento para o Diário de Notícias[2].

Ao Padre Paschoal Rangel foram indexados mais de 3.800 artigos publicados na imprensa[3] E, nas palavras do escritor católico brasileiro, Antônio Carlos Santini, ele foi capaz de "na dança móvel que quem luta com palavras", saltar do "jargão teológico ("segurança epistemológica", "mediação ideológico-racional") para expressão que alcança os leitores de jornal ("teólogos de galinheiro", "guerrilha ideológica", "sono dogmático"). E, natural, o mel da ironia escorre gostosamente no canto do lábio do leitor..."[4]

Padre Paschoal sucedeu Dom Antônio Afonso de Miranda - que fora nomeado bispo da Diocese de Lorena e seria o incentivador da Canção Nova[5] - na chefia da redação do Jornal O Lutador.

Em 1969, fundou a Revista Atualização, com o apoio do Padre Alberto Antoniazzi e do Instituto Central de Filosofia e Teologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, e nela colaboraram os principais pensadores e líderes católicos brasileiros e alguns estrangeiros, tais como: Dom Antônio Afonso de MirandaDom João Evangelista Martins Terra; Hupert Lepargneur, Dom João Resende CostaCardeal Godfried DannieelsCardeal Raymundo Damasceno Assis, Henrique Cristiano José Matos, Dom Boaventura Kloppenburg.

Obras Publicadas

[editar | editar código-fonte]
  • Entre Ágapes e Eucaristias - Um estudo histórico-litúrgico sobre a Missa. Manhumirim: Editora O Lutador, 1956.
  • A Nova Teologia da Revelação na "Dei Verbum". Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1970.
  • Emmanuel Mounier - Um Pensamento Dentro da Vida. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1976.
  • Ensaios de Literatura: Uma introdução à leitura de dezesseis autores brasileiros. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1984.
  • No Vento Azul (Quase-poemas). Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1986.
  • Essa Mineiríssima Henriqueta - Ensaio de interpretação poética de Henriqueta Lisboa. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1987. (Prêmio da UBE de Melhor Livro de Crítica de Poesia; Prêmio Agripino Grieco de Melhor Livro de Crítica Literária de 1988)
  • Teologia da Libertação: Juízo crítico e busca de caminhos. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1988.
  • Falas do Meu Rio - Quase-poemas, quase-orações. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1988.
  • Maria, Maria... (Meditações sobre as invocações da Ladainha de Nossa Senhora. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1991.
  • Sagrado Coração do Homem. (Meditações sobre a Ladainha do Coração de Jesus. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1993.
  • Teologia de Jornal - Uma interpretação teológica dos fatos. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1996.
  • O Romanceiro de Henriqueta Lisboa em "Madrinha Lua". Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1996.
  • Provérbios e Ditos Populares - A sabedoria de nossa gente. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 2003.
  • A Igreja e o Batismo. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 2007.

Referências

  1.  SILVA, Heleno Raimundo da (org).Pe Paschoal Rangel, SDN. In, Atualização Nº 343. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 2010, pg 105ss.
  2.  Igreja: Padre Pascoal Rangel. Programa Memória e Poder da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.
  3.  SILVA, Heleno Raimundo da. Op. cit. pg. 109.
  4.  SANTINI, Antônio Carlos. Esse Incômodo Padre Paschoal. In, Ensaios & Estudos: Homenagem ao Pe Paschoal Rangel. Belo Horizonte; Editora O Lutador, 1997, pg. 211.
  5.  O Globo - 11/10/2021,

Bibliografia

[editar | editar código-fonte]
  • Dom João Resende CostaO Dom de Deus na Vida do Padre. In, Ensaios & Estudos: Homenagem ao Pe Paschoal Rangel. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1997.
  • SILVA, Heleno Raimundo da (org).Pe Paschoal Rangel, SDN. In, Atualização Nº 343. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 2010.


Notas:

1 - A Igreja perde um grande Sacerdote. Por Murilo Badaró.
2 - Francisco: humildade, firmeza e misericórdia. Por Cardeal Orani Tespesta,
3 - O Compromisso Cristão Pós-Crismal. Fr Matheus Garbazza.

Crédito:
Primeira Edição de "O Lutador": Obras do Padre Júlio Maria de Lombaerde
Álbum de Família: Cedidas por Renata Raemy Rangel

Nenhum comentário:

Postar um comentário