A Renata apresentou uma memória linda. Aliás, esta minha prima tem uma paixão pelas histórias da família invejável, e tem o dom de escrever.
Hoje, uma neta de minha tia Regina Maria (filha de Alcino de Abreu Rangel) me pediu que eu enviasse, à ela, um depoimento sobre a pessoa da avó dela.
Falar de sua avó Regina Maria é sempre um grande prazer para mim. Era, sem dúvida alguma, a tia que eu mais amava. Eu adorava estar com ela, conversar, ouvir seus conselhos e principalmente olhar para os olhos dela, os quais sempre continham uma luz inigualável, Mas atente, os olhos dela não refletiam uma luz que eles estivessem captando do exterior. Os olhos dela eram a janela da luz que ela trazia em seu interior.
Minha tia jamais falou mal de alguém pelo menos que recordo. Ela discordava de certos pensamentos e atitudes e, contra eles, era firme mas sem perder a candura.
Meus pais a escolheram para ser a minha madrinha de Crisma. Quando me crismei, ela não pode vir ao Rio. Foi uma pena! Mas eu a considero como tendo sido.
Sua avó era aquela que escutava sem julgar. Ela tinha a capacidade de ouvir por horas e continuar ao seu lado como se a conversa tivesse acabado de começar.
Quando as pessoas dizem que ela era uma santa, eu realmente acredito. Ela foi a pessoa que mais próximo de Deus esteve. Ao menos se comparada aos demais de nossa família.
Quando ela morreu, eu escrevi um texto para o Encontro de Família em que eu me referia a ela como sendo um anjo, pois ela era uma verdadeira mensageira da paz.
Ela era a tia que protegia. Que defendia. Que acolhia. Diferentemente de tia Maria ou tia Terezinha, não obstante serem tias muito boas, também. Mas sua avó era diferente.
Vou te contar um episódio que ocorreu no aniversário de 15 anos de Agnes. Houve uma festa muito bonita. A nova casa de seus avós (a que você conheceu) tinha acabado de ser construída, mas eles ainda residiam num casarão antigo muito bonito, onde todos os irmãos e sobrinhos estavam hospedados.
Pois bem, para acesso à dita casa tínhamos que subir uma escadaria bem íngreme e que não tinha proteção lateral. Ou seja, se bobeássemos, cairíamos numa ribanceira sem fim.
Após a festa da Agnes, o Marquinho (filho do tio Elmo) levou os primos a Conduru para um forró. Ao voltarmos (Cláudio José, Paulo Roberto, Ronaldo, Rachel, Tânia e eu), fomos surpreendidos com uma brincadeira de mau gosto por parte do Cláudio. Ele se antecipou e se escondeu atrás da porta, para nos dar um susto. Essa porta ficava na cabeceira da escada. Pois bem, quando subíamos a escada, com cautela para não cairmos, eis que surge o Cláudio e nos prega um baita susto, fazendo com que todos nós tomássemos um tombaço.
Nós íamos pegar o Cláudio pra valer. A raiva de todos era muito grande. A tia percebendo a nossa intenção disse (ela não gritou):"ninguém toca a mão no Cláudio".
E nós todos obedecemos, não obstante tentarmos explicar que ele tinha provocado a queda de todos na escada e todos nós estávamos machucados.
Sua avó mandou o Cláudio ir para o quarto e ficou fazendo nossos curativos. Enquanto ela fazia o curativo em meu braço, eu disse: "Não sabia que você preferia a ele". E tia Regina disse: "Não prefiro". No que eu perguntei: "Então, porque você o protegeu desta forma?" No que ela respondeu: "Eu protegi vocês, Renata. Se eu não tivesse impedido, vocês todos estariam arrependidos de ter batido em um primo".
Essa era sua avó! O tipo de mulher capaz de perceber que todos nós iríamos amargurar a dor do arrependimento se tivéssemos machucado um primo, considerado como irmão.
Bem, a verdade é que não dá para falar tudo sobre a tia, num único texto. Eu sinto muito a falta dela. Talvez você não saiba, mas ela era muito próxima do papai. Ela chegou a residir um período no Rio, na casa de meus pais. O Ricardo sempre diz que ela foi a segunda mãe dele.
Eu sinto falta da voz cândida da tia. De seus figos cristalizados. De sua presença amiga e acolhedora. De sua risada quase tímida. Enfim, sinto muita falta.
No momento é o que eu consigo escrever. Beijos.
É muito gratificante saber disto, principalmente porque Cristo disse: "Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, nem se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de um alqueire, mas sim sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos que estão em casa." (Mt 5, 14-15)
Claudinho,
obrigado pelas palavras e pela lembrança tão espontânea, primeira que me foi ofertada por um afilhado. Muito bom, mesmo.
Regina Maria,

Claudio, chego a me emocionar ao ler a dedicatória da tia. Sinto-a assim: evangelizando sempre, sendo exemplo de Cristo em nossas vidas. Acho que ela é uma das poucas pessoas que está a interceder por nós, lá no céu. Obrigada por partilhar conosco.
ResponderExcluirQ lindooooooo! Q voz a Renata! Preens pelo
ResponderExcluirLindo texto!